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O POMO DA DISCÓRDIA

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                                                       Perguntado certa vez sobre o que eu pensava sobre o sucesso artístico respondi que preferia prestígio ao sucesso. Hoje em dia o sucesso significa muitas vezes, a fama banalizada que dá sustentação à mediocridade vigente. Os mercadores de plantão destacam o que se rotula de música pop, mas na verdade não contemplam a produção de muitos artistas populares.  Prestígio resulta em permanência em valorização e, por conseguinte, respeito, que é afinal o que todo artista almeja. Portanto arte não é qualquer coisa! É comum ouvirmos o relato de um autor tentando descrever o sentimento de ouvir pela primeira vez uma canção sua num veículo de comunicação. A satisfação é indescritível, se vem acompanhada de elogios o autor sente-se recompensado e encorajado pra seguir em frente. Mas o que...

O DITO POPULAR

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Poesia é a criação inspirada do espírito humano. O seu objetivo é concretizar o belo, através da palavra, sob forma harmoniosa e rítmica. A poesia requer inspiração, sensibilidade, vibratilidade de nervos, sentimento. Emana cem por cento, da imaginação. (Manoel Macedo) Salve gente boa do Samba! Diz o dito popular que “de médico, músico, poeta e louco todos nós temos um pouco”. É verdade, a música está na própria Natureza, basta ouvir os sons que vêm do silenciar e observar. Já a poesia é a expressão do mais puro sentimento. Quando a palavra flui do âmago, ela se transforma em versos que revelam o que vai dentro do ser, aí então nasce o poeta! Mas o sambista é diferente, creio que é algo mais além da poesia. Todo sambista tem alma de poeta, porém nem todo poeta possui alma de sambista. O sambista não nasce sambista, ele torna-se, no convívio com seus pares. O fato ocorre por contagio, assim como uma “moléstia benigna” em que a cura se resolve sempre com outra dose de Samba ...

DESAFIO

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Salve gente boa do Samba! Se pensarmos na mudança ocorrida nos últimos tempos na cena cultural paulistana, podemos constatar um saldo a favor do nosso Samba. É notório o aumento de participação dos sambistas nos espaços musicais. Aos poucos, avança uma proposta mais consistente e consciente baseada na verdadeira tradição da cultura popular. Creio que isso é resultado de uma combinação de fatores. Primeiro; o surgimento das comunidades de Samba, foco de resistência independente que procurou preservar o essencial do nosso Samba dando voz a uma corrente de novos compositores que era um contraponto ao rotulado “pagode” comercial que de certo modo, foi um híbrido do bem sucedido samba carioca do Fundo de Quintal, do Almir Guineto, do Zeca Pagodinho entre tantos que teve na voz da Beth Carvalho sua maior divulgadora. O mercado,sempre,farejou lucratividade na pasteurização e absorveu aquela leva de “pagodeiros” criando uma geração de sambistas pop, que produziam um “samba” descaracteriz...

OSSOS DO OFÍCIO

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Salve gente boa do Samba! Gostaria de falar um pouco sobre minha experiência com as Escolas de Samba e no que compete a mim, ao ofício de compositor.  Minha estréia no carnaval paulistano foi no ano de 1975 – quando compus um samba enredo para a Barroca Zona Sul do lendário Pé Rachado – Para um jovem aprendiz, foi uma oportunidade única para exercitar a veia artística. O cenário das Escolas naqueles tempos não se parece nada com o que podemos observar hoje. As escolas em sua grande maioria, não possuíam quadras de ensaios e resolviam o problema em espaços provisórios alugados, emprestados ou nas ruas, com todo tipo de contrariedades que o fato acarretava como queixas de “vizinhos” e até proibições executadas pela polícia. Não era fácil. Um compositor dessa época quando criava seu samba enredo corria cantar nos ensaios, nos bares ao redor e ia colhendo seus simpatizantes no gogó, pois microfone era luxo! Quase sempre o povo da Escola avaliava antecipadamente o samba que iri...

RESGATE

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Outrora, com a força que o Rádio possuía na difusão da música popular brasileira o público podia distinguir os intérpretes dos autores nas composições que eram executadas. Programas especiais eram produzidos com a obra dos autores que adquiriam reconhecimento e respeito com a exposição do seu trabalho. A programação das principais emissoras era geralmente de música nacional e os locutores ao término da execução da música citavam alem do nome do intérprete, também o nome dos autores. Nada mais justo. Com a implantação comercial gradativa das FMs a música nacional foi sumindo da programação diária e foi sendo substituída pelo pop internacional numa proporção prejudicial para os autores nacionais. Claro que isso tinha a ver com a imposição comercial da indústria do disco. O radio cada vez “dizia”menos e “falava” mais conversa fiada. Alguma coisa foi preservada, no entanto insuficiente para enfrentar a massificação que se impunha criando gerações de "analfabetos...

SAMBA DE RAIZ

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Salve gente boa do Samba! Certo dia colaborei com um trabalho de estudantes de jornalismo cujo tema era “samba de raiz”. Um tema abrangente com mais de um século de história foi necessário ser o mais sintético possível mas a resposta foi dada e agora compartilho com os caros leitores. O samba  tem ancestralidade africana. Um dia cruzou o mar nos navios  tumbeiros e desembarcou nas senzalas,  alojou-se nos morros e favelas depois “ganhou” o asfalto das cidades. São Paulo, Bahia e Rio de Janeiro são estados onde o samba ocorre mais vigorosamente. Várias outras localidades     preservam o gênero ora mais rural ora mais urbano apenas não repercute nos meios de comunicação de massa. Nesses escabrosos caminhos o samba segue conservando sua identidade. Dinâmico, ele é a soma da polirritmia dos batuques com a riqueza da língua portuguesa. Resiste contra falsificações, vulgarizações e a concorrência massiva de outros cânticos. Tradicionalista em atitudes...

A ERA DA WEB RÁDIO

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   Salve gente boa do Samba! Esta coluna, se Deus quiser, apresentará histórias reais, registros, resgate de memórias e valorização de sambistas de São Paulo. Sou nascido e criado na capital paulista e pelo menos nos últimos quarenta anos vivenciei o universo do Samba e acompanho par e passo as dificuldades e também os esforços dos defensores da nossa cultura popular. O movimento sambístico ciclicamente mostra avanços, seja na renovação da sua produção, na multiplicação de adeptos e na abrangência da ocupação do espaço artístico. Penso que vivemos um bom momento apesar da indiferença da grande mídia, do pouco incentivo dos agentes culturais do Estado, da mudança da forma de se comercializar música etc. E esse bom momento pode ser notado no aumento da produção de música gravada. Finalmente o acesso a estúdios por parte dos artistas marginalizados é uma realidade e a inclusão na Internet - desse novo bloco de sambistas - que a alguns anos vem fazendo a resistência em d...