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O BRÁS SOMOS NÓS

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BRÁS ANTIGO “O Arnesto nos convidou prum samba, ele mora no Brás    Nóis fumos não encontremos ninguém    Nóis vortemos com uma baita de uma reiva    Da outra vez nóis num vai mais” SAMBA DO ARNESTO (Adoniram Barbosa/Alocin) Cantarolando esses famosos versos do Adoniram Barbosa, peguei o velho trem do Barão de Mauá e deixei a mente vagar numa bruma matinal às margens do rio Tamanduateí nas bandas do Brás. Um bairro operário, berço de imigrantes, italianos em sua maioria e que tempos depois incorporou a migração nordestina dando feição ao lugar. Sempre que vou ao Brás rezo para não chover... Dá enchente na várzea e o caos no trânsito se instala. Mas chuva grossa não me molha então lá vou eu procurar o Arnesto. O cenário atual mudou muito! Foi-se o tempo do “Lembrar, deixe-me lembrar, meus tempos de rapaz no Brás...” O movimento agora é punk! O que vejo salta aos olhos em forma de um turbilhão de sacolas e sacoleiras vindas de todas as pa...

THEREZA SANTOS - MALUNGA GUERREIRA

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Algumas pessoas que conhecemos pela vida afora são personalidades marcantes e inesquecíveis... Assim foi com a Thereza Santos - (1930-2012). Seu nome de batismo era Jaci dos Santos, uma mulher carioca, professora, educadora, atriz, teatróloga, carnavalesca, militante política, ativista engajada nas causas do povo negro. Conheci-a num ensaio de escola de samba na década de 1980. Era muito exigente nos cuidados de cada detalhe de um desfile, mas principalmente defensora dos valores e preceitos e fundamentos do Samba. Escrevia enredos, participava da montagem, ajudava a definir o melhor samba, ensaiava a comissão de frente entre outras atividades e com conhecimento de causa. Algumas das nossas principais escolas tiveram sua ajuda – Camisa Verde, Peruche, Rosas de Ouro, X9 Paulistana, Mocidade Alegre e outras mais. Quis o destino, depois de alguns anos, de eu ter a oportunidade de conviver alguns meses trabalhando em parceria na realização de um carnaval para a Barroca Zona ...

MIGUEL FASANELLI

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Miguel Fasanelli (1932-2009). Estaria hoje com 86 anos. Dedicou sua vida à Contemporânea, fábrica e comércio de instrumentos musicais que iniciou suas atividades em meados do século XX como uma pequena oficina de consertos de instrumentos de sopro. Pessoa sincera, gentil e simpática, conquistou muitas amizades ao longo da vida. Duas grandes paixões: música e futebol. Gostava de ópera, choro e samba e como bom descendente de italianos, torcia pelo Palmeiras. Por conta do seu carisma a “loja do Miguel” tornou-se ponto obrigatório de vários músicos e artistas famosos. A loja da Contemporânea cravada no bairro da Luz na Rua General Osório, tornou-se referência de qualidade em instrumentos de percussão, no Brasil e no exterior. Por incentivo do seu Miguel a loja mantém há anos sob o comando de Arnaldinho do Cavaco a sala Evandro do Bandolim que reúne todos os sábados a nata do choro paulista.  Sala Evandro do Bandolim Na ocasião do jubileu de ouro, escrevi esta pequena...

MÚSICA A MUSA VOLÁTIL

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                 AS NOVE MUSAS                                                                  A música popular brasileira é considerada uma das mais belas e ricas do mundo. Devido a nossa formação étnico-cultural apresenta uma diversidade enorme de fontes e influências. Mas até o início do século XIX a música portuguesa de origem europeia era a trilha sonora dessas plagas. Os nativos, claro, tinham sua própria tradição musical com forte base rítmica, mas com a vinda dos jesuítas, cantos católicos e a dança folclórica europeia foram assimilados dando origem aos festejos tradicionais. Os africanos e mestiços produziam e tocavam a modinha de origem portuguesa e o lundu – dança e canto de origem africana - nas festas, saraus e nas ruas.  Essas formas musicais foram ...

ÁCIDA CIDADE

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A cidade escolhe seus novos administradores e muitos não ficam satisfeitos por terem os seus votos contrariados, mas gostaria de salientar que a vida segue e o movimento político é perpétuo e nada pode impedir a mutação social. Na história é a partir de uma célula vanguardista que a revolução se instala, por outro lado jamais teremos um povo cem por cento politizado, consciente e participante. No nosso caso ainda amargamos os efeitos nefastos dos anos de chumbo que trouxe um retrocesso obscurantista. As últimas gerações são crias do medo e da desesperança que sublimou o individualismo em detrimento da solidariedade, principalmente nas classes mais favorecidas. Muito embora não pareça, ventos novos estão soprando e a luta não será mais apenas entre o Rei e o peão. Virá o despertar da novidade com a livre circulação das ideias fronteiriças desmanchando os pilares do velho mundo. O sonho não acabou. Acredito firmemente na melhora embora possa não estar de corpo presente quando o gr...

CONTEÚDO E EMBALAGEM

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Atualmente eu presto atenção apenas à voz do coração. As outras tantas vozes criam uma espécie de sinfonia paranóica. Quem tem razão? Quem está com a verdade? Eu? Também não. Então o sil êncio apesar de inquietante no princípio ainda é o melhor condutor. Não vivo debruçado em estudos e leituras, bebo da palavra quando sinto sede. Aí dá vontade de aprender algo por intermédio do outro e aí recomeça a busca.  O caminho passa pelo coração que mais apanha do que bate, porém o seu pulsar é no ritmo do samba e ele quer o nosso bem e, por conseguinte o bem do próximo e daí não importa de onde vem ou para quem vai o afago. Assim alguns versos podem vir a ser um novo samba. A responsabilidade de assinar o que passa pela nossa cabeça não é brinquedo não.  Embora a experiência acumulada é de alta serventia a feitura de uma nova composição requer o trabalho minucioso de um artesão paciente e caprichoso pois a maioria das vezes a composição nasce em pedra bruta e só a lapidação é que p...

DIA NACIONAL DO SAMBA

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Oficialmente, o Dia Nacional do Samba é comemorado no dia 2 de dezembro. A data surgiu nos anos 1940 por iniciativa do vereador baiano Luis Monteiro da Costa, em homenagem a Ary Barroso. A data foi escolhida, pois foi nesse dia que o compositor mineiro visitou Salvador pela primeira vez. A partir de então, a festa foi se espalhando pelo Brasil, virando uma comemoração nacional. Para os sambistas de fato todo dia é dia de Samba! Sambamos quando estamos felizes ou tristes, com dinheiro (melhor) sem dinheiro (pior). Quando nasce mais um filho de sambista o batismo será com muito samba. Geraldo Filme cantou: “Na hora em que eu nasci mamãe me jogou na pista – se cair deitado é padre, caiu de pé é sambista”. Num casamento o enlace dos pombinhos tem que ter festa com muito samba. Nenhum evento ou motivo deveria passar sem o “auxilio luxuoso de um pandeiro”. (Luis Melodia). A nossa grande festa profana – o carnaval – é uma espécie de catarse onde o Samba é a panaceia...