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BEM-VINDA PRIMAVERA !

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Quando chega a primavera, mesmo as pessoas que vivem nas grandes cidades sentem uma atmosfera revigorante. Melhor seria se a selva de pedra não fosse como é: um monumento à concretude, impermeável e estéril onde as sementes clamam por uma chance de florescência para talvez renovar nossa convivência cidadã.  No Brasil, terra iluminada pelo Sol, a flora refloresce e a fauna se reproduz presenteando os olhos do observador com belas paisagens. Assim, graças a uma temperatura bastante agradável, poetas podem criar lindas canções inspiradas em jasmins, hortênsias, dálias, crisântemos, borboletas e passarinhos... Finda o inverno surge a primavera. Setembro convida todos nós a sentir o doce aroma no desfile das flores, cultivar novos dons e tons em nosso jardim de cada dia regado a música, amor e poesia .  “Rancho das Flores”,  marcha-rancho com versos de Vinícius de Moraes sobre tema de Jesus, Alegria dos Homens , de Johann Sebastian Bach.  O mundo sono...

CARLÃO DO PERUCHE

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Carlão do Peruche (Ilustração de Zé Nívio) CARLOS ALBERTO CAETANO O Carlão do Peruche um dos grandes baluartes do carnaval paulistano, completou no dia 11 de setembro último, 83 anos. O Sr Carlos Alberto Caetano nasceu em São Paulo onde tornou-se uma lenda viva do samba da nossa cidade.  Na infância acompanhava os pais nas festas de Pirapora do Bom Jesus. Frequentava as rodas de batuque, também chamado de bendenguê ou caxambu, no ritmo do tambu pisado no chão de terra. Semelhante ao jongo e congado. Esse é o samba de bumbo ou samba rural paulista. No carnaval começou mesmo na Lavapés, escola mais antiga da capital paulista, mas por desinteligências com a diretoria desligou-se. Foi quando em 1956 junto com amigos formou outra agremiação que deu origem à Unidos do Peruche. No início dos anos 70 esse grande batalhador pelo samba paulistano participou de uma reunião com o então prefeito Faria Lima para a oficialização dos desfiles de carnaval, ao lado de Inocêncio Mulata, Pé...

CLUBE DOS TREZE DO SAMBA.

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Sobre a indagação: - Onde foram parar os negros que eram vistos no comando das escolas de samba ? Também saí à procura e por isso vou aprofundar o tema, pois acho que ele toca numa questão primordial para o Samba: - Por quem e para quem é produzido o Carnaval Paulistano? Por outro lado a discussão aborda o racismo e no chamado mundo do samba parece que discutir esse assunto só serve para conturbar o ambiente do Carnaval que a cada ano mais se parece com o ideal de uma democracia racial muitas vezes decantada em letras de sambas enredos. Porém, e sempre tem um porém, nem tudo que reluz é ouro! Vejamos: Nos desfiles de 2013 tivemos treze escolas da Liga (Especial e Acesso) que são presididas por brancos, seis por "quase brancos" e apenas três por presidentes negros. Pode-se observar também que ao longo dos últimos anos várias trocaram de mãos no que se refere ao comando. Podemos listar: Vila Maria, X9 Paulistana, Tatuapé, Peruche e mais recentemente Nenê e Camisa. Al...

MANEZINHO ARAÚJO

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“Pra onde vai valente? Vou pra linha de frente...” Esse é um verso de uma embolada de autoria de Manezinho Araújo um mestre nessa arte que exige do embolador muito ritmo e fôlego! Mas, o que vem a ser a embolada? Trata-se de uma das formas mais originais das músicas do folclore do Nordeste do Brasil, usando o recurso de sátira e humor, o embolador discorre sobre temas cotidianos como se fosse um cronista. Alguns consideram que a embolada tem sua origem na literatura de cordel. O nordeste tem sido uma usina de ritmos contagiantes, resultado da fusão de manifestações musicais locais com uma herança sobretudo africana. No século XX, vários desses gêneros se popularizaram pelo país: baião, frevo, maracatu e para o caso desta abordagem o coco, ofício dos cantadores nordestinos que criam rimas em profusão. Um modo de dizer a letra que guarda certa semelhança com o rap, porém com mais musicalidade e que obedece em geral aos compass os 2/4 e 4/4 da forma dos cocos com e...

SANFONA BRANCA COM ASAS

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Corria o ano de 1966. Um sanfoneiro baiano, Pedro Sertanejo, pai de outro grande músico o Osvaldinho do Acordeom, resolveu estabelecer um salão de forró, o primeiro em São Paulo e mais precisamente no bairro fabril do Brás. Foi na Rua Catumbi que se instalou entre as décadas de 60 e 80 uma rede social, um cantinho da saudade e da sociabilidade da comunidade migrante nordestina. Quem aguçar os ouvidos ao caminhar pela região ouvirá entre as polifonias da cidade o som da sanfoninha de oito baixos incansável, pois ao forrozeiro é proibido cochilar, e verá o furdunço do sacolejo de casais “castigando a chinela” triscada na paisagem sonora do lugar. Esse cidadão pioneiro criou também uma gravadora – Cantagalo – que deu oportunidade a dezenas de artistas que vinham em busca de seus sonhos. Entre eles estava Dominguinhos. José Domingos de Morais, nascido no dia 12 de fevereiro de 1941 em Garanhuns, sertão de Pernambuco. Filho de mestre Chicão, sanfoneiro e afinador de san...

40 CARNAVAIS...

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O que meus 40 carnavais fizeram-me concluir: Assim como eu, há uma porção de sambistas bem intencionados que aos poucos vão se afastando das agremiações e se frequentam, vão como meros espectadores. O rumo que o carnaval paulistano tomou é decadente, é bonde na ladeira... Eu posso afirmar o desfile da Liga é só fachada. As pessoas que desfilam quase não se divertem o público compra gato por lebre e os donos das escolas só se preocupam com a arrecadação, com as verbas e com o lucro. Para o sambista da UESP restam os desfiles fantasmas um carnaval mais triste que procissão de retirantes. Não dá! Se nada acontecer no que se refere ao carnaval a frase do Vinícius de Morais “São Paulo é o túmulo do samba” vai virar o lema. O que eu penso: Tem que começar injetando sangue novo e bom na UESP mudar tudo! A Liga por enquanto deixa pra lá tá bichada faz tempo e só com um projeto revolucionário, passando o rodo mesmo, nesse bando de oportunistas é que as coisas poderão mudar. Sem um...

O BRÁS SOMOS NÓS

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BRÁS ANTIGO “O Arnesto nos convidou prum samba, ele mora no Brás    Nóis fumos não encontremos ninguém    Nóis vortemos com uma baita de uma reiva    Da outra vez nóis num vai mais” SAMBA DO ARNESTO (Adoniram Barbosa/Alocin) Cantarolando esses famosos versos do Adoniram Barbosa, peguei o velho trem do Barão de Mauá e deixei a mente vagar numa bruma matinal às margens do rio Tamanduateí nas bandas do Brás. Um bairro operário, berço de imigrantes, italianos em sua maioria e que tempos depois incorporou a migração nordestina dando feição ao lugar. Sempre que vou ao Brás rezo para não chover... Dá enchente na várzea e o caos no trânsito se instala. Mas chuva grossa não me molha então lá vou eu procurar o Arnesto. O cenário atual mudou muito! Foi-se o tempo do “Lembrar, deixe-me lembrar, meus tempos de rapaz no Brás...” O movimento agora é punk! O que vejo salta aos olhos em forma de um turbilhão de sacolas e sacoleiras vindas de todas as pa...